3 de setembro de 2009


FACES

Vamos sentir falta deste bonito rosto e da subtileza do seu estilo.
elefantes

É falso que os elefantes sejam uns animais de peso. A lesma, sim, sempre agarrada à brilhantina... A mula, que envelhece no posto, talvez, por não querer reconhecer que a erva cresce nas montanhas.
Mas o elefante... Pode voar. Pode.
http://www.youtube.com/watch?v=xdufuHcg4fY

MAD MEN

Há séries assim: bem escritas, que não nos deixam largar e, sobretudo, que nos obrigam a reflectir sobre um passado recente. E no caso de alguns de nós, a tirar conclusões sobre o presente. "Mad Men" (FoxNext, vai no episódio 8, pelo que percebi, mas pode contar-se com as repetições) é um caso disso. Um publicitário nos anos 50, tenta perceber os mecanismos da vida, enquanto fuma e fuma, engana a mulher e vende o que gosta e não gosta. A sombra de R. Yates (Revolutionary Road e Cold Spring Harbor, publicado na Quetzal, por exemplo) a pairar na sua nostalgia e impossibilidade da felicidade absoluta. A Literatura, sempre a Literatura, por detrás.
A não perder (série e os livros do autor por analogia), por quem gosta de histórias bem escritas.

31 de agosto de 2009

NO DIA EM QUE QUASE TODA A GENTE RECOMEÇA O TRABALHO:
Viva o Verão e a costa portuguesa.
Podemos queixar-nos de muita coisa, mas há que reconhecer que ter assim spas à borla, espalhados pelo país todo não é de desprezar.
E já agora, antes que ele se vá embora, amuado: Viva o Sol!

27 de agosto de 2009


I'LL SEE YOU IN MY DREAMS

Reedição especial do filme de zombies de Filipe Melo (deixem-me dizer assim, porque não teria sido o que foi sem ele, sem o seu entusiasmo e empenhamento - a vários níveis - sem limites). Creio que será lançada durante o festival MoteLX que começa na próxima semana. Já agora e sobre este evento, refira-se que o seu crescimento sólido, sustentado pela equipa que o produz, o torna neste momento como um festival bastante interessante. Provavelmente, o melhor, no capítulo do terror e do fantástico em Portugal. É ir ver para comprovar.

26 de agosto de 2009

TÍTULOS

Só me impressionam os dos livros.
Como o próximo do Lobo Antunes: "Que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar?".
Mesmo que livro venha a não valer um caracol, só o título já merece ser emoldurado.
DA IMPORTÂNCIA DA EDUCAÇÃO

Aparentemente todos os intelectuais portugueses (a ajuizar pelas entrevistas) se deleitaram com Proust e os teóricos construtivistas na infância.
A pergunta que se coloca é quantos leram as aventuras de "Guilherme", de Richmal Crompton, publicadas durante décadas em Portugal?
Não devem ter sido muitos, ou as soluções para as trapalhadas do país seriam por certo mais criativas...

24 de agosto de 2009

O PROBLEMA DA UNIÃO E O DA LÍNGUA DE TRAPOS

Cavaco Silva acaba de vetar alterações À lei das uniões de facto. Porque transforma este contrato civil num "paracasamento". No seu comunicado o presidente da república alega que as duas coisas não são comparáveis e por isso qualquer aproximação lesaria muitos cidadãos. Não nega as estatísticas (porque não pode)que apontam na direcção do crescimento deste tipo de união, mas nega a igualdade de tratamento.
Nenhum de nós espera que o antigo primeiro-ministro que (tal como Santana Lopes, Deus lhe cubra o gel de bênçãos...) foi ao Vaticano beijar a mão ao papa, e está casado com a mesma pessoa há décadas, reconheça que duas pessoas livremente unidas, sem padre, seja uma coisa a sério. Já na lei do divórcio a orientação foi a mesma.
O que nós dispensávamos, no homem simples, do povo, que se formou e progrediu com trabalho era o discurso hipócrita. O que diz que a razão do seu veto está em proteger os casais em união de facto e que "uma opção de liberdade a que correspondem efeitos jurídicos menos densos e mais flexíveis do que os do casamento".
Não seria mais fácil falar verdade e dizer que aos seus olhos e aos do seu Deus, há a união abençoada e o concubinato. E que se toda gente optar por este, os padres ficam ainda com menos poder e o Vaticano contará ainda menos?
Liberdade de veto sim, mas não é preciso mentir nas razões. Já somos todos grandinhos, não?

19 de agosto de 2009


A IMPORTÂNCIA DA CRÍTICA

Os blogtailors apontam-nos para a Pó dos Livros que lembra uma coisa intemporal: a crítica é um fruto do seu tempo e do gosto dos seus agentes. Aqui citam-se exemplos. Mas poderíamos falar de Eça, de Miguel Torga ou de Jorge de Sena, para não ir tão longe, todos acolhidos com desconfiança à data da primeira publicação das suas obras.
É preciso entender este fenómeno e ler com algum distanciamente. O Tempo será sempre o principal crítico de um trabalho artístico.
DAS ESCUTAS

Que Portugal é um país de comadres, já se sabia. Logo, tudo de ouvido à coca, a ver se descobre o podre dos vizinhos, para poder ir contar. Nisto difere de outros povos, já que não procura nesse revelar mais do que obter estatuto como "denunciante", logo, "honesto". Foi assim, desde a Inquisição. Vizinhos vigiavam vizinhos de forma a protegerem-se dos seus "malefícios". Fossem de comer porco à sexta-feira, fosse de se não acreditar que um relicário pudesse curar paralíticos.Fosse até de pensarem que eles poderiam ser os próximos a merecer ir para a morte
Morreu muita gente, por isto.
A Pide não foi mais do a oficialização deste procedimento.
E, mais recentemente, o SIS tomou para si esta função. Com a desculpa dos terroristas e dos Muito Maus e o beneplácito dos governos.
Sim, muitos portugueses são escutados, espiados nos seus trajectos na Internet devassados sem que juiz algum tenha conhecimento. Simplesmente, porque as máquinas estão ali à mão e podem.
Daí aos jornais, nomeadamente aos cor-de-rosa e de escândalos vai um passo. Um pequenino que,segundo muitos, é constantemente transposto. Sobretudo se houver dinheiro envolvido. E há, provavelmente, quem pague por estas informações. Seja por uma conversa presidencial seja pela vida privada de uma actriz de telenovelas.
Quando foi decretada a ditadura militar no Brasil e se formou uma polícia política, um conhecido estadista disse que o problema não era de quem a polícia os queria proteger, mas sim, quem os protegeria DA polícia.
Continuo a achar, ao saber dos relatórios da Amnisitia Internacional e ver as leis que abrem caminho ao controlo de todos os nossos movimentos, que cada vez mais esta frase fará sentido.
Quem nos protegerá dos homens que são polícias?

13 de agosto de 2009

O PROBLEMA DAS PEVIDES

Já quase ninguém come tremoços e menos gente ainda, pevides. Tomei consciência disso, ao derivar inesperadamente para o super do El Corte Inglês que tem como curiosa característica devolver-nos algumas coisas boas que deixámos cair. Queijo com cardo, por exemplo. Ou tomate seco. Ou beldroegas (mais para alentejanos...) e coisas desse género. Se em vez de escritor fosse, digamos, assessor ou até motorista de um ministro, era certo que me abasteceria ali mais vezes. Assim, olha: pode ser que um dia o Mini-Preço...

ps: ah, isto tudo para dizer que foi só começar a comer nelas para me lembrar que sou completamente viciado. À primeira mordiscadela na pele com sal, já me tinha desgraçado.
SOBRE ARGUIDOS ELEITORAIS

Não consigo ver nada mais complicado que tentar governar a coisa pública em Portugal, se a razão for a honesta motivação de criar progresso. É por isso que a maioria dos que entram em frenesim pelos postos em vista não sofrem dela. Alguns, sim, felizmente para nós. Mas poucos.
Que a lista de Manuela Ferreira Leite contenha APENAS dois arguidos, não me parece mal. Afinal, nas alas do partido não deve haver muitos que não o tenham sido. Em todos os partidos há manigâncias, gente corrupta e amigos das negociatas com empreiteiros e clubes de futebol (veja-se o caso Felgueiras, por exemplo). Mas, admitamos, o partido actualmente liderado pela velha senhora é o campeão. Uma pesada herança deixada pelos tempos do cavaquismo que as pessoas insistem em esquecer. A época em que os rios de dinheiro que vinham da Europa chegavam às autarquias, antes de se sumirem pelo chão esburacado das obras desnecessárias.
A pergunta que os portugueses, descontentes com a governação socialista, devem fazer, na minha opinião, é se querem ser governados por esta gente. E votar em conformidade com essa constatação.

12 de agosto de 2009

ROMANCE ACABADO E ENTREGUE. A MINHA PARTE ESTÁ FEITA

Preparem-se, almas delicadas, porque em Outubro podem muito bem vir a comprar por engano,numa livraria qualquer,

"O MUNDO BRANCO DO RAPAZ-COELHO"

E aí... Será cada um por si :)

Pronto. Está dado o alerta.



(foto de David Lachapelle)

11 de agosto de 2009

SOBRE O PORTUGUÊS E O MEC

Pensámos estar perdido, nós o que crescemos e aprendemos com as suas crónicas, bem mais educativas do que o penoso estudo das orações em cima dos Lusíadas (invenção genial que terá feito - espero- arder num espeto para a eternidade o seu pedagógico inventor...). Mas aos poucos, com as suas mini-crónicas, o M.E.C. tem demonstrado estar de volta. Ainda bem para nós.
Um dos exemplos foi esta crónica que copio do Ciberdúvidas e que reproduzo com a devida vénia (uma vez que o Público fez o favor de se adiantar e pagar o autor):

"ESPARGATA ESPARGUETA
Queria escrever esparregata mas o único dicionário que tinha à mão, o da Academia [das Ciências de Lisboa], não me deixava. Telefonei a um ginasta amigo que me explicou que "esparregata" era só para o caso especial em que se escorrega num bocado de esparregado. Para todas as outras ocorrências, envolvendo espargos ou não, é espargata que se deve escrever.

Mas também não vinha espargata. Como sempre, foi o Ciberdúvidas que salvou o dia. Encontrou-a, mas só num dicionário, no melhor de todos: o Grande da Porto Editora (o meu anda escondido nalgum caixote, a rir-se baixinho). Carlos Rocha adianta que «nem o Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, de José Pedro Machado, nem o Silveira Bueno explicam a origem deste substantivo feminino».

No blogue Língua à Portuguesa, Sara Leite propõe fundar um clube-de-otários-que-andaram-metade-da-vida-a-dizer-esparregata. Adiro já. Mas também não encontrou espargata sem ser no dicionário da Porto Editora. Diz que o termo é de origem italiana e sugere spargatta.

Não desisti enquanto não achei a origem da maldita espargata: é de spacatta, que descreve a mesma posição. Fare la spacatta é fazer uma espargata. O verbo é spaccare, que é rachar. Por exemplo, quando um desportista italiano diz ao adversário «ti spacco il culo» quer transmitir a ideia que está a pensar em ganhar.

Spargat também é a 3.ª pessoa do singular do presente do subjuntivo do verbo latim spargare, que pode ser espalhar (as pernas, neste caso). Nunca se sabe."

(artigo publicado no jornal Público, de 4 de Agosto de 2009, na rubrica «Ainda ontem». — 04/08/2009)

9 de agosto de 2009

AÇORES E SANTA CATARINA

Para quem imagina que o Brasil é apenas praia tropical e coqueiros, chegar a S.Catarina, no Sul do país pode ser uma surpresa. Agradável, mas diferente.
Povoada por açoreanos, a ilha de Santa Catarina mantém diversas tradições do arquipélago português na gastronomia, nas festas religiosas e até na forma de estar.
Para os que não foram leitores do "Rio da Glória" (ou que desistiram antes do fim...) aqui fica a segunda parte de um documentário feito para a televisão local pela produtora TAC, dessa região do Brasil, sobre as tradições dos dois lados do Atlântico.

7 de agosto de 2009

SOBRE FILMES

Tenho impressão que ainda não mencionei o facto do filme "As praias de Agnés" ser formidável. Tal como quase tudo desta mulher destemida. Fica aqui a chamada de atenção.

6 de agosto de 2009

CONVERSAS DE ESCRITOR

Como sempre acontece em época de eleições, ou quando se fala em rever o irrelevante serviço público prestado pela RTP, a empresa chega-se à frente, contrariada, e avança um programa de livros. Num canal secundário, claro, que a RTP1 está ocupada a promover o pimba.
Neste caso, o apresentador de telejornal, ao coincidir com o entrevistador do programa, chamou a atenção para ele. Ainda bem, por um lado.
Por pudor e vontade de conservar a sanidade mental, não vou dizer muito sobre a coisa. Apenas que se houvesse dúvidas sobre a qualidade de escritor do apresentador de televisão, elas ficariam esclarecidas. A forma ignara, mas sinceramente interessada como perguntou a Ian McEwan como é que ele fazia para se pôr na cabeça das personagens mulheres, e a sua insistência na questão, e se o outro teria pesquisado o assunto,não poderiam ser mais eloquentes. Ian McEwan, que deve estar habituado à asneira, lá foi esclarecendo, sensatamente, a criatura. O apresentador não só não tem um pingo de talento para a escrita, do ponto de vista formal, como não faz ideia da forma como um escritor a sério "pensa".
É o tipo de demonstração de ignorância e falta de autoconhecimento que me deixam entre a indignação (porque está a ganhar uma fortuna, paga pelos contribuintes, mensalmente, como prémio por ser péssimo) e a vontade de chorar.
José Rodrigues dos Santos não revela um pingo de inteligência ou qualquer conhecimento sobre o acto da escrita. Mas o pior é que nem sabe disso.
E o programa é igual a ele.
Tal tristeza...

ps: dizem-me que este senhor é exigente com os alunos a quem "ensina". É sempre assim, quanto menos se sabe mais se pede aos outros.

2 de agosto de 2009

FIM DE FÉRIAS...

Como diria a minha vizinha, lá muito para baixo, na escada: "prontos, já se acabaram".
Tempo de empurrar projectos para a frente, de novo.
Na verdade, nem custa assim tanto regressar.

1 de agosto de 2009

SEGUNDO A IMPRENSA (Público)...

"O empresário Miguel Pais do Amaral está “satisfeito” com os resultados do grupo Leya no mercado livreiro português e promete “uma estratégia vencedora para o Brasil”, depois de não ter conseguido entrar no mercado brasileiro através da aquisição de empresas já existentes".
Pá, ainda bem tanto mais que...
"“Fizemos várias tentativas de identificar potenciais targets [alvos] para entrar no mercado [brasileiro] via aquisição. Infelizmente, por várias razões que não interessa formular, não conseguimos. Por isso, vamos fazer uma start-up [nova empresa], com uma equipa própria que está neste momento a ser preparada”, explicou o empresário ao PÚBLICO, à margem da prova do campeonato Le Mans Series"
Tanta gentileza a responder, da bancada vip do autódromo merece no mínimo a nossa consideração.
E para aqueles que ainda pensam em livros como uma coisa ligada à Literatura:
"O empresário salienta ter “indicadores muito positivos tanto nas vendas, como em termos de margens”. “Não há nenhuma razão para alterar o que era a nossa posição inicial quando fizemos este investimento, que é ter uma posição de longo prazo”.
Relembro aqui a posição do futuro ex-ministro da cultura, quando se mostrou "contente" com a concentração de várias editoras num único grupo.
Digam o que quiserem, mas para mim, é mesmo bom viver num país tão dado à Cultura.